4 de novembro de 2007

Marina

Na ponta do pé
equilibra
a leve Marina.

No centro do palco
ela gira
sob o foco de luz
com os braços pra cima.

Depois com um salto,
ela voa bem alto,
rompendo limites.

E assim aterriza,
qual equilibrista,
e recebe os aplausos.

1 de novembro de 2007

Soul-searching

Quando eu não sei as respostas,
eu entro em modo de espera.
Fico em silêncio profundo,
no mais sublime respeito,
às minhas dúvidas.

Me enterro dentro de mim -
caço lá no fundo os meus postulados,
e revejo todas as minhas regras de inserção lexical.

E assim, combino, palavra após palavra,
aquela que será minha posição.

29 de outubro de 2007

Dora

Dora me deu notícia.
Me ligou,
falou que vinha,
trazendo o seu violão.

Dora caminha solta,
escreve a pauta da sua vida;
tem uma caneta nas mãos.

É dona de si –
de suas idéias...

Que lindo é vê-la sorrir;
gargalhar, com o rosto apontado
para o céu,

e todo o azul em volta.

19 de outubro de 2007

Tempo bom

Neste momento,
cai uma chuva fina
e elegante
no meu coração.

Vem singela,
sem trovões a reboque;
silenciosa e
quase imperceptível em mim.

Chuva boa,
que leva embora a poeira,
sem provocar enxurradas.
Refresca a alma,
e aduba a terra,

para o que virá depois.

10 de outubro de 2007

Still

Eu ainda tenho as nossas fotos
emolduradas com nossos risos,
com nossos olhares longos.

Eu ainda tenho
bem aqui no peito
nossos momentos em câmera lenta
que se repetem
na minha memória.

7 de outubro de 2007

Gravidez

Estou cheia de poemas mudos
dentro de mim.

Sinto-me prenha de idéias,
que dormem felizes em
minha cabeça
incubadora.

Por ora deixo
que amadureçam
sem pressa.

Para então nascerem
em caixas alegres,
adornadas com laços e fitas.

1 de setembro de 2007

Todas as meninas em mim

Eu tenho várias meninas em mim;
uma para cada fase da minha vida;
uma para cada parágrafo,
estrofe e compasso,
das prosas, rimas e melodias
que faço,
uma para cada página vivida.

São minhas parceiras
de lágrimas, de brincadeiras.
Converso e danço com elas:
são minhas faces de boneca.

Quando me sinto moleca,
sou Catarina.
Quando choro de amores,
sou Isabela.
Quando me sinto ameaçada,
recuo, assustada -
sou Clara.

Faço-as protagonistas
de histórias minhas,
dou-lhes voz para, assim,
me imprimir.

Eu mesma,
em muitas meninas.