Poemas despretensiosos sobre margaridas, manhãs de sol e tudo mais o que encanta as minhas pobres retinas.
31 de agosto de 2010
maturation
and my mind is full of them
i wish i had a notepad in my head.
no, no hurries.
they will be here soon.
rest, darling, rest.
there will be time for yellow.
28 de abril de 2010
Hoje pode.
na minha pele desbotada,
no meu cabelo engomado,
- eu não ligo pra mais nada.
Hoje pode chover
eu e você
e bolhas de sabão,
na praça ensolarada.
2 de abril de 2010
poema sobre o eu
e me achei partida e esquartejada,
qual fragmento de louça quebrada.
ali, nas paredes grafitadas;
no muro antigo, no reboco à mostra,
nas canções das esquinas,
no barulho dos carros.
era eu, e ninguém mais.
espelho, espelho meu.
era eu no olhar do mendigo.
no chapéu com esmolas.
na porta da escola.
esperando o táxi.
atravessei na faixa,
cortando o olhar dos estranhos;
que ao mesmo tempo não o são.
a poesia das ruas me mantém embriagada.
11 de dezembro de 2009
Janelas
quando me dei conta,
meio que sem querer,
que na minha janela
também não há cortinas.
20 de agosto de 2009
Autismo?
Dá licença? Deixa eu passar?
Tem gente aqui?
Eu só queria um lugar.
Não, por favor, não se preocupe em fazer sala.
Eu não ligo de ficar aqui quietinha, assentada,
apenas olhando a valsa no salão.
Não, eu não quero conversar.
Será que você me entende?
Não, não é nada com você.
Eu só não quero conversar.
Hoje os meus pensamentos
são minha melhor companhia.
30 de janeiro de 2009
autonomia
e da bengala assistente
não careço mais.
enfim, posso
respirar sozinha,
ar puro
de primavera.
e até mesmo dos meus óculos
me desfiz -
para ser só eu,
e ninguém mais.
9 de janeiro de 2009
véu e grinalda
doce e singelo,
com nuvens embaixo,
enfeitando o voo,
de mil borboletas,
em forma de flores.
30 de junho de 2008
ensaio poético sobre a falta de tempo
seus céus de azuis intensos,
a brisa gélida
a cortar meu rosto,
suas nuvens ressecadas.
junho passou e não senti,
o ar seco em minhas narinas,
o vento intruso em meus casacos.
junho passou e não quis,
deixar lembranças em mim.
29 de abril de 2008
Metodologia
esquecer-me das hipóteses que,
à custa de tanto lápis e borracha
elaborei.
Vou reescrever meus projetos,
e estabelecer apenas intenções descritivas.
Vou ver o que há;
falar do que existe,
e não mais das idéias que só existem
na minha mente cientista.
Vou me despir dos meus pré-conceitos:
olhar o dado puro e permitir que ele
desperte em mim idéias que eu nem tenho.
1 de dezembro de 2007
Fim de inverno
cheiro de chuva
enchendo meu peito.
Meu coração anda seco e salgado
doído de saudades;
um sal que me dá desespero
- só pode ser.
Esse ar rarefeito,
de inverno tão seco,
das montanhas que tanto amo,
hoje me faz mal.
Me faz desejar a garoa
e tudo o mais que ela traz.
29 de outubro de 2007
Dora
Dora me deu notícia.
Me ligou,
falou que vinha,
trazendo o seu violão.
Dora caminha solta,
escreve a pauta da sua vida;
tem uma caneta nas mãos.
É dona de si –
de suas idéias...
Que lindo é vê-la sorrir;
gargalhar, com o rosto apontado
para o céu,
e todo o azul em volta.
25 de julho de 2007
Café com chocolate
dou de cara com minhas tarefas,
espalhadas sobre a mesa.
Oh, cruel e fatídico reencontro
com minhas obrigações!
Minha agenda aberta,
cheia de apontamentos,
desafia meu ânimo para um duelo.
Tomo assento na poltrona acolchoada,
e já outro inimigo se levanta:
o sono!
Sorrateiro, não pede licença;
entra em meu corpo,
sem a menor cerimônia.
Já estou prestes a me dar por vencida,
quando surge você,
piscando azul na minha tela.
Meu café com chocolate predileto das 14:30h.
11 de julho de 2007
Céu-luar
sempre presente,
por onde vou.
Sua luz azul apaga comigo
todas as noites;
acorda-me todas as manhãs.
Sua extensão,
delimitada por meus olhos,
já me trouxe as mais doces
mensagens.
E igualmente testemunhou
os meus mais alegres
sorrisos.
27 de junho de 2007
Twist
a cada volta,
desse twist,
que sobe e desce,
e me enlouquece.
Com mãos geladas,
seguro a barra,
e na superfície
do banco branco,
escorrego, sozinha.
Quando aterriso,
já não existo.
Me desligo,
e desabo
no chão.
14 de junho de 2007
Junho
e límpido,
sem nuvens no céu
pra me estarrecer.
Trouxe o vento gélido,
que canta pelas frestas
da minha janela à noite -
fez do sol um mero coadjuvante,
encurtou os meus dias.
Me encheu de espirros e catarros,
me engordou com cachecóis e casacos,
enrouqueceu a minha voz.
E no meu coração brotaram saudades
do calor que trazia a chuva.
2 de junho de 2007
15 de março de 2007
Retrato digital
te puxar no zoom da minha Pentax,
te enquadrar na zona dos 11 pontos,
e registrar seus olhos
em 6 megapixels.
E depois,
te abrir em 100% no meu monitor,
e descobrir
cada particular de você.
4 de março de 2007
Palpitação
e ouço suas mancadas,
meu coração e minha boca
entram no mesmo ritmo.
Suave expectativa
“Se fossem meus os panos bordados do céu,
Enfeitados com luz de ouro e prata;
os azuis e sombrios panos
da noite e da luz e da meia luz;
Eu os estenderia sob os seus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob seus pés.
Pise suavemente, pois você está pisando nos meus sonhos.”
(William B. Yeats)
Eu fiz adormecerem os meus sonhos,
Por medo de que fossem desfeitos.
E tal como porcelana frágil os vejo,
Equilibrados sobre uma bandeja.
Mas, agora, eis que despertam de um doce devaneio.
Do meu quarto, ouço o som de quem entra na sala,
E me pergunto se é chegada a hora
de oferecê-los.
(São frágeis e nobres os meus sonhos;
são como louça guardada,
delicadamente adornada,
reservada para ocasião especial.)
A expectativa se faz sentir no meu corpo,
Onda de ânsia que gela e bambeia.
O não-saber me paralisa,
O desconhecido me atrai.
23 de julho de 2005
Abra-cada-livro
Mas abra cada um deles.
Lá dentro há muitas vozes
E estão todas silentes,
em estado latente.
Para despertá-las,
Não há truques, nem palavras mágicas.
Basta entrar no mundo delas
E, então, deixá-las falar.
A leitura é um diálogo interior.