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7 de outubro de 2013

Vivendo

acabei de me convencer
que, para mim, bem lá no fundo,
escrever é viver.

é me prensar no papel;
sair carimbando toda e qualquer superfície
com as minhas impressões digitais.

é me escanear por inteira,
me colocar na copiadora -
jogar-me em domínio público
para quem quiser ler.

escrever para mim
é um ato de coragem.

31 de janeiro de 2008

contra-evidência

Ando revirando os arquivos da memória
em busca de evidências
de coisas que não sinto mais.

Procuro provas invisíveis,
- a verdade na falta -
busco o que não é,
o que não há.

Nesse caso específico,
minha mente cientista
quer os dados-fantasmas;
a sonhada
evidência negativa.

1 de novembro de 2007

Soul-searching

Quando eu não sei as respostas,
eu entro em modo de espera.
Fico em silêncio profundo,
no mais sublime respeito,
às minhas dúvidas.

Me enterro dentro de mim -
caço lá no fundo os meus postulados,
e revejo todas as minhas regras de inserção lexical.

E assim, combino, palavra após palavra,
aquela que será minha posição.

7 de novembro de 2006

Ao leitor

(porque Machado de Assis me inspira)

A tua curiosidade, leitor,
é o que mais me incita a escrever.
É que em tua mente,
corre sempre a idéia,
de que aqui encontrarás minhas réplicas,
disfarçadas com metáforas,
e adornadas de um tom de mistério.
Achas
- bem atrevidamente -
que sempre que preciso falar
daquilo que me impressiona,
ponho a poesia a meu serviço,
e, assim, digo o que quero,
sem contudo me comprometer.
Ah, ingênuo leitor,
que te julgas desvendador de mistérios!
Se me lêsses com mais atenção perceberias,
que a minha escrita é
torta
feia
e ambígua.

15 de outubro de 2006

O espelho da pergunta

Para você. Você sabe quem.

Se você soubesse a minha resposta,
certamente já teria feito a pergunta,
que tanto teme fazer.

Você só não a fez ainda porque,
para cada pergunta,
existe um espelho.

O espelho da pergunta
– note bem –
é a sua reformulação,
de tal modo que a resposta a ela,
passa de Sim, para Não.

E assim, em sua mente,
você formula a tão sofrida pergunta, que
- AFIRMO -
seguramente lhe traria um Sim.
Entretanto, passados poucos instantes,
eis que surge em cena
o espelho vilão,
que me faria dar-lhe o Não.

E você,
aterrorizado com a negativa,
que vislumbra em seus pensamentos,
vê-se impedido de receber o meu Sim.

E é assim que permanecemos sozinhos,
imobilizados por medo e dúvida,
cada qual em seu próprio caminho.