Poemas despretensiosos sobre margaridas, manhãs de sol e tudo mais o que encanta as minhas pobres retinas.
30 de novembro de 2013
divórcio
já não tenho mais lembranças.
as suas queixas internas,
a minha voz nem sempre mansa.
as vasilhas que voaram pelo ar
naquele dia em que quis te matar.
e nada disso faz sentido mais.
belo dia, você vai saber
como foi morrer
dentro de mim.
23 de outubro de 2013
Vai e vem
cheios de sono,
e você no meu peito,
falando de amor.
e o aperto que sinto
toda vez que eu minto
que não quero provar
teu sabor.
e nas noites em claro
- coração solitário -
viaja em imagens
tentando te ver.
e assim, vai e vem,
que tristeza, meu bem!
não saber se eu posso
te ter.
14 de agosto de 2011
poema sem cor
ninguém me segure.
hoje não -
eu preciso estar só.
choro pesada
toda a minha carga.
libero os meus ombros
tento me desfazer do medo
de olhar para o futuro.
choro pelas coisas que são.
choro pelas que não terei.
choro diante de um futuro incerto.
apenas isso.
choro.
choro por não mais me conhecer solta.
choro por não mais me conter.
choro pela tristeza do não saber.
5 de julho de 2011
Pedido
vê se me entende,
se fala minha língua
ou, pelo menos,
se torna aprendiz
dos meus mistérios,
da minha falta de jeito,
e me abraça,
quando eu não souber agir.
27 de janeiro de 2010
Desentendimentos
ou porque nem sempre porto comigo
meu decodificador de sons inclaros.
porque nem sempre nos olhamos,
diretamente e sem pudor,
porque nem sempre nos fazemos,
velhos conhecidos e apaixonados.
porque minha fala é só minha,
meus mistérios, só meus.
porque às vezes somos dois estranhos,
mesmo vivendo um nos olhos do outro.
29 de abril de 2009
c'est la vie
bem de acordo
com a minha solidão.
quis uma luz sutil,
pra destacar minhas sombras.
hoje eu quis escrever
pra ver se o peito
pára de doer.
3 de janeiro de 2009
processo
que às vezes o peito tem de doer.
eu aprendi
que às vezes eu tenho de sentir
a dor que range
lá no fundo.
e que tenho de entrar em contato
com certas emoções que doem;
trazê-las à tona,
domá-las com força,
pra que sigam seu curso,
e saiam de mim.
16 de março de 2008
Dor
e de dúvida permanente.
Estou em busca de respostas
e de alguém pra desatar o nó
que há no meu peito.
Escrevo entre lágrimas
e sinto dentro de mim um nada -
um nada que dói.
Meus óculos embaçam,
no pescoço, o aperto.
no rosto, as lágrimas.
11 de fevereiro de 2008
poema pra não ser lido
em tons frios,
com suas luzes sombrias,
continha um grito sufocado
e o sono do mendigo.
6 de junho de 2007
Mudanças
e ver que minhas idéias de ontem
já não combinam com meus botões de hoje.
Vou ver que perdeu a graça fazer patchwork,
misturar estampas,
forrar com pano os botões
que saíram de moda.
E vou lembrar de todas as vezes
que espetei meu dedo com a agulha
apenas porque não usei meu dedal
(apesar de saber que devia).
Vou sentir o calo no dedo -
do bater constante
da minha agulha de tricô...
... e então enxergar
minhas cabeçadas
desfilando diante de mim.
29 de abril de 2007
Falta
o café que esfriou
é o fio que soltou da tomada
dois dedos de suco na jarra
é o fim da pilha
o fim da grana
telefonema que caiu
na secretária eletrônica
é a roupa rasgada
a sacola furada
corda do violão que arrebentou.
27 de abril de 2007
Casa Vazia
Nem ouse tocar a campainha.
Não bata na porta.
A luz acesa na varanda
é só para espantar os bandidos.
Não estou para livros de sintaxe.
Não estou para novelas de amor.
Não estou para gente chata.
Não estou para birra de criança.
Saí para me procurar em outras terras.
Desci a serra;
vou me encontrar com o mar.
Deixei minha mala no topo da montanha.
16 de abril de 2007
Castelo de cartas
8 de março de 2007
Melancolia
para guardar meus pensamentos pesados.
Quis ter uma caixa de ovos,
para armazenar meus sentimentos frágeis.
Desejei uma página em branco,
para enrugar com minhas lágrimas.
Precisei de uma estante,
para organizar minhas dúvidas,
e de um porta-luvas de carro,
para repousar os meus pés cansados.
8 de junho de 2006
Poeminha nonsense
E manchou o meu rosto de rímel.
Era um dia cinza aquele,
E o lodo crescia no asfalto.
Na minha xícara, o café frio.
Na minha cama,
um-metro-e-sessenta de cansaço.
Ao longe, a conversa do vizinho
Ao som de um sertanejo que falava de amor.
Imprimi minha marca na poeira que voava no ar.
Não era delírio,
Elas dançavam uma ciranda encantada.
E eu dançava também.
14 de fevereiro de 2006
Medidas Erradas
Eu queria saltar 5 anos em vez de 5 metros
Pular três poças de lágrimas
Só pra ver se lá na frente,
há um chão firme para eu pisar.
Eu queria medir o céu com os braços abertos,
Contar o tempo com os dedos,
E saber quantas melodias ainda tenho de dedilhar
no meu violão,
até esse céu clarear.
Se eu pudesse, mediria o tempo com as lágrimas,
E aí saberia quantas delas ainda preciso derramar
Até o sossego chegar.
Mas nessa vida não há atalhos.
A única medida que conheço é a dos meus passos.
Um de cada vez.
Há um caminho que eu preciso trilhar.
1 de outubro de 2005
3rd language break-up
(or “Linguistic translation of my feelings”
or “Why languages are a good metaphor for life”)
I went back to my linguistic house one day
and found out that my Italian was gone.
My English was still there.
A little awkward, maybe
A little out of date, perhaps
But faithfully there.
My Italian, however, is gone.
It took away with it all my
memories and souvenirs.
- I wonder why languages resemble people so much -
And I grieve.
The pain of forgetting a language is a different one.
Something I had not yet known.
10 de julho de 2005
Nada Sei
Eu não sei
se devo partir.
Você me diz que sim,
Me faz ficar com raiva de mim.
Eu não sei
se devo voltar
para o meu lugar
os seus braços, meu amor.
se fico aqui,
olhando-lhe assim,
sentindo esta dor.