14 de agosto de 2011

poema sem cor

choro pesada.
ninguém me segure.
hoje não -
eu preciso estar só.

choro pesada
toda a minha carga.
libero os meus ombros
tento me desfazer do medo
de olhar para o futuro.

choro pelas coisas que são.
choro pelas que não terei.
choro diante de um futuro incerto.

apenas isso.
choro.

choro por não mais me conhecer solta.
choro por não mais me conter.
choro pela tristeza do não saber.

5 de julho de 2011

Pedido

Olha pra mim,
vê se me entende,
se fala minha língua
ou, pelo menos,
se torna aprendiz

dos meus mistérios,
da minha falta de jeito,
e me abraça,
quando eu não souber agir.

12 de maio de 2011

Desabafo

Às vezes tenho vontade de sair
gritando
qual profeta caricato do sertão:
arrependam-se dessas armas.

Às vezes meu coração é só;
- só revolução.
Fechada em seus próprios contornos
minha voz embarga.

é possível dar fim à tristeza?
mudar o que caminha tão mal?
enxertar olhos nos cegos?
transformar uma opinião?

às vezes eu acho que não.
e deixo os meus gritos
abafados dentro de mim.

18 de fevereiro de 2011

teoria de cores

hoje
é tudo branco dentro de mim,
pulmão, veias e rins,
menos o meu coração,
que continua carmim.

18 de novembro de 2010

Marazul

mergulhei profundamente nos meus pensamentos
e lá encontrei tantos peixes.
E vi que sei respirar
mesmo com tanta água ao redor.
E as bolhas de ar,
tão lindas;
E a imensidão,
tão grande e infinita.

31 de agosto de 2010

maturation

my green ideas rest peacefully
and my mind is full of them

i wish i had a notepad in my head.

no, no hurries.
they will be here soon.
rest, darling, rest.

there will be time for yellow.

23 de julho de 2010

receita

gosto da poesia que não deixa vestígios.
gosto do verso que não arranca suspiros.
gosto da letra que não crava,
não marca, não grava,
só passa;
gosto da poesia etérea,
leve,
breve,
que nasce e evapora,
que se veste de prosa,
que me arranca o ar.